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Digitalizar custa pouco, não digitalizar custa caro

20 de janeiro de 2026
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Digitalizar custa pouco, não digitalizar custa caro

Cada R$ 1 investido em digitalização pode gerar até R$ 27 de economia aos cofres públicos. O dado, apresentado em estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), recoloca a transformação digital no centro do debate público, não como tendência, mas como estratégia concreta de gestão.

Eficiência, dados e tomada de decisão

Durante minha passagem pela Secretaria Municipal das Subprefeituras de São Paulo, esse impacto ficou evidente. Em uma cidade cosmopolita, complexa e marcada por milhões de demandas simultâneas, digitalizar processos vai muito além de modernizar sistemas. Na prática, significa ganhar eficiência operacional, reduzir desperdícios, qualificar decisões e direcionar recursos para onde eles realmente importam.

Além disso, quando a gestão passa a ser orientada por dados, o improviso perde espaço. Consequentemente, o tempo de resposta diminui, os gargalos se tornam visíveis e a ação no território passa a ser mais precisa, integrada e previsível.

Um exemplo prático: o Programa Tô Legal

Um exemplo concreto dessa lógica foi o Programa Tô Legal. A iniciativa digitalizou o processo de liberação para trabalhadores informais na capital paulista. Ao substituir fluxos burocráticos por um procedimento simples, digital e rastreável, o poder público conseguiu reduzir custos administrativos, acelerar respostas e, ao mesmo tempo, garantir dignidade e segurança jurídica a quem vive do trabalho diário nas ruas da cidade.

Digitalização além das grandes capitais

No entanto, esse debate não diz respeito apenas às grandes capitais. Pelo contrário. Para cidades pequenas e médias, muitas vezes com orçamento limitado, equipes reduzidas e forte pressão sobre o gestor público, a digitalização se mostra ainda mais decisiva.

Automatizar processos, integrar bases de dados e simplificar fluxos permite fazer mais com menos. Assim, reduz-se a dependência de estruturas físicas, evita-se retrabalho e amplia-se a capacidade de entrega sem aumentar custos fixos.

Impacto direto no orçamento municipal

Em municípios menores, cada economia gerada faz diferença direta no caixa e na capacidade de investimento. Por isso, digitalizar é, muitas vezes, a única forma de ampliar serviços, ganhar escala administrativa e melhorar o atendimento ao cidadão sem comprometer o equilíbrio fiscal.

Resultado, não discurso

Transformação digital não é um fim em si mesma. Trata-se, antes de tudo, de um meio para melhorar serviços, ampliar o acesso, fortalecer a gestão pública e aproximar o Estado da vida real das pessoas. Quando bem planejada, ela deixa de ser discurso e se transforma em resultado concreto, economia de recursos e responsabilidade com o futuro das cidades.

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