Notícias
E se uma prefeitura pudesse testar uma tecnologia antes de contratar?
10 de março de 2026
| Por modonezi
Esse é exatamente o objetivo de um instrumento relativamente novo da administração pública brasileira: o CPSI — Contrato Público para Solução Inovadora.
Criado pelo Marco Legal das Startups, esse modelo permite que governos contratem empresas ou startups para desenvolver e testar soluções inovadoras em ambiente real, antes de fazer uma contratação definitiva.
Em vez de comprar uma tecnologia pronta, o poder público lança um desafio e convida o mercado a propor soluções.
A Prefeitura da Cidade do Recife vem aplicando esse modelo por meio do E.I.T.A! Recife — Ecossistema de Inovação, Tecnologia e Aceleração, um programa que conecta desafios da gestão pública a soluções tecnológicas.
Programa de inovação aberta que compartilha os desafios de Recife/PE com pessoas e instituições para criar soluções de forma colaborativa.
No terceiro ciclo do programa foram firmados cinco contratos de solução inovadora, com investimento inicial de cerca de R$ 250 mil para desenvolvimento de protótipos e potencial de chegar a R$ 3,5 milhões nas etapas de aceleração.
Um dos projetos chama atenção na área de gestão urbana.
A solução SAÍRA (Sistema de Alerta Inteligente para Resíduos e Autuações) utiliza inteligência artificial, visão computacional, sensores IoT e drones para monitorar cerca de 1.700 pontos críticos de descarte irregular de resíduos na cidade.
Ponto de descarte irregular de lixo no Cais de Santa Rita, região Central de Recife/PE (foto: divulgação/Prefeitura do Recife)
A tecnologia permite identificar ocorrências em tempo real, gerar alertas automáticos e apoiar a fiscalização, integrando dados de diferentes áreas da prefeitura.
Mas o ponto mais interessante aqui não é apenas a tecnologia. É o modelo de gestão e contratação.
Os CPSIs permitem que o poder público:
- teste soluções antes de investir em larga escala
- reduza riscos de contratação
- estimule inovação no setor público
- conecte governo, startups e centros de pesquisa
Para desafios urbanos complexos, como resíduos sólidos, mobilidade ou drenagem, esse tipo de instrumento pode acelerar muito a modernização da gestão pública.
Cidades inteligentes não se constroem apenas com tecnologia.
Elas dependem de gestões públicas capazes de testar soluções, aprender com os resultados e escalar aquilo que realmente funciona. Inovação também se faz na forma de contratar.