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Sombra também é infraestrutura

04 de setembro de 2026
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Sombra também é infraestrutura
Quando pensamos em infraestrutura urbana, normalmente lembramos de asfalto, drenagem, iluminação e transporte. Mas, diante de cidades cada vez mais quentes, precisamos acrescentar outro elemento a essa lista: a sombra.

O calor extremo já interfere na saúde, no uso dos espaços públicos, no consumo de energia e na qualidade de vida. Por isso, combater ilhas de calor não pode ser tratado apenas como uma pauta ambiental. Precisa fazer parte do planejamento urbano.

Em 2026, o World Resources Institute lançou o Cool Cities Lab, uma ferramenta que ajuda cidades a identificar áreas mais expostas ao calor e avaliar onde soluções como árvores, telhados frios, pavimentos refletivos e estruturas de sombra podem gerar maior impacto.

Não basta dizer que a cidade precisa de mais árvores. Hoje, com dados e tecnologia, é possível entender onde plantar, onde criar sombra e quais soluções fazem mais sentido para cada região.

Durante muito tempo, arborização foi vista principalmente como paisagismo. Hoje, ela precisa ser encarada como parte da infraestrutura urbana.

Em alguns locais, ampliar a cobertura vegetal será a melhor resposta. Em outros, o espaço urbano pode exigir alternativas, como coberturas em pontos de ônibus, materiais mais refletivos ou estruturas de sombra em praças, escolas e unidades de saúde.

A pergunta deixa de ser apenas “quantas árvores vamos plantar?” e passa a ser:

Onde as pessoas estão mais expostas ao calor e qual é a melhor solução para aquele lugar?

Isso é planejamento.

Na Secretaria Municipal das Subprefeituras de São Paulo, tive a oportunidade de colocar parte dessa visão em prática com os Bosques Urbanos. Áreas degradadas, muitas vezes utilizadas para descarte irregular de entulho, foram transformadas em espaços verdes. Além de recuperar esses locais para a população, a vegetação ajuda a reduzir a temperatura, aumentar a permeabilidade do solo e melhorar a qualidade ambiental do entorno.

Esse tipo de projeto mostra que soluções para os desafios climáticos nem sempre precisam começar com obras complexas. Muitas vezes, começam com a transformação inteligente do espaço que a cidade já possui.

Minha experiência na gestão pública sempre reforçou uma convicção: uma cidade funciona melhor quando consegue antecipar problemas em vez de apenas reagir a eles.

Conteúdo do artigo

Essa lógica vale para drenagem, zeladoria, mobilidade e manutenção urbana. E também precisa valer para o calor.

Tecnologia e dados ajudam a localizar áreas críticas e priorizar investimentos. Mas é a gestão que transforma informação em decisão concreta.

Um ponto de ônibus sem proteção do sol, uma praça sem sombra ou uma rua excessivamente quente também são problemas de infraestrutura.

Preparar a cidade para temperaturas mais altas passa por grandes projetos, mas também por milhares de pequenas decisões: onde plantar uma árvore, qual material usar no pavimento, como proteger um espaço público e onde investir primeiro.

Uma cidade preparada para o calor começa a pensar na sombra como infraestrutura.

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