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A água que a cidade joga fora pode virar infraestrutura

22 de setembro de 2026
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A água que a cidade joga fora pode virar infraestrutura

Quando pensamos em infraestrutura urbana, normalmente lembramos de ruas, pontes, drenagem, iluminação e transporte. Mas existe um recurso que passa diariamente pelas cidades e que ainda pode ser muito melhor aproveitado: a água.

Em setembro de 2026, Conama e Conselho Nacional de Recursos Hídricos aprovaram uma resolução conjunta que estabelece diretrizes, critérios e parâmetros mínimos de qualidade para o reúso direto não potável de água proveniente de esgoto tratado em sistemas públicos. A regulamentação cria uma referência nacional para usos como limpeza urbana, irrigação e processos industriais.

É uma discussão importante porque uma cidade não precisa utilizar água potável para todas as suas atividades.

A água que chega às nossas casas passa por processos de captação, tratamento e distribuição para atingir um padrão adequado ao consumo humano. Utilizar esse mesmo recurso em atividades que não exigem água potável significa pressionar desnecessariamente os mananciais e toda a estrutura de abastecimento.

O reúso permite pensar de outra maneira.

Depois de tratada dentro dos padrões adequados, parte da água que hoje encerra seu ciclo nas estações de tratamento pode retornar para a cidade e atender outras demandas. Pode ajudar na limpeza urbana, na irrigação de áreas verdes e em diferentes atividades produtivas, preservando água de melhor qualidade para os usos que realmente precisam dela.

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Isso ganha ainda mais importância diante dos períodos de estiagem e das pressões crescentes sobre o abastecimento das grandes cidades. A própria regulamentação nacional aponta a redução da pressão sobre os mananciais, especialmente em momentos de escassez, como um dos benefícios do reúso.

Mas transformar reúso em infraestrutura exige planejamento.

Não basta produzir água de reúso. É preciso pensar em onde estão as estações de tratamento, quais são os principais pontos de consumo, como será feito o transporte, quais atividades podem utilizá-la e como garantir monitoramento e segurança ao longo de todo o processo.

É aí que o tema deixa de ser apenas uma questão de saneamento e passa a fazer parte do planejamento urbano.

Uma cidade resiliente precisa aprender a trabalhar melhor com os recursos que já possui. Assim como resíduos podem voltar para a cadeia produtiva e a água da chuva pode ser armazenada ou absorvida pelo solo, a água tratada também pode ganhar uma segunda função antes de deixar definitivamente o sistema urbano.

Em vez de pensar apenas em buscar mais água cada vez mais longe, as cidades também precisam olhar para aquilo que já circula dentro delas. Água tratada demais para um uso que não precisa dela também é desperdício.

O avanço das regras nacionais abre espaço para que o reúso deixe de ser uma iniciativa pontual e passe a entrar de vez no planejamento das cidades. E quanto melhor utilizarmos cada litro disponível, mais preparada estará a infraestrutura urbana para enfrentar períodos de escassez e os desafios climáticos dos próximos anos.

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