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Cidades-esponjas: da China a São Paulo, soluções macro e micro para o futuro urbano
15 de setembro de 2025
| Por modonezi
Recentemente, o Fantástico, programa da TV Globo, apresentou um exemplo que chama a atenção do mundo: as chamadas Cidades-Esponjas.
A ideia, aplicada na China, busca criar metrópoles preparadas para lidar com a água. Para isso, as cidades absorvem, filtram e reutilizam recursos hídricos de forma inteligente, com infraestrutura verde, lagos artificiais e soluções em larga escala.
Trata-se de um projeto macro, bilionário e de longo prazo, capaz de transformar o futuro das cidades. No entanto, não precisamos depender apenas de grandes obras para enfrentar os desafios do clima.
O impacto das pequenas intervenções
Sempre acreditei que grandes obras mudam a cara da cidade. Porém, as pequenas intervenções mudam a vida das pessoas.
Quando fui secretário de Subprefeituras em São Paulo, apostamos em microssoluções acessíveis e de alto impacto, como:
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Jardins de chuva: pequenas áreas verdes que captam a água da chuva, reduzem alagamentos e deixam a cidade mais agradável.
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Bosques de conservação: reservas verdes urbanas que funcionam como “esponjas” naturais, absorvem água, regulam a temperatura e oferecem qualidade de vida ao redor.
Essas iniciativas mostram que é possível replicar a lógica da cidade-esponja em escala local, com investimentos menores e resultados rápidos.
A importância do mapeamento da cidade
Mas há um ponto essencial: mapear bem a cidade para planejar melhor.
Em São Paulo, descobrimos que das quase 500 mil bocas de lobo existentes, apenas 27 mil estão em áreas de alagamento. Portanto, são essas que precisam de tratamento diferenciado, com foco em microdrenagem e ações específicas.
Esse é o verdadeiro sentido de pensar a cidade com os recursos que ela já possui.
O desafio brasileiro
No Brasil, o desafio é ainda maior. Muitas cidades não possuem um cadastro atualizado de suas infraestruturas, o que dificulta planejar soluções eficientes.
Enquanto a China investe recursos bilionários em grandes obras, aqui lidamos com fortes limitações orçamentárias. Por isso, as microssoluções e o planejamento inteligente se mostram o caminho mais viável para transformar bairros e cidades inteiras.
Cidadão no centro das soluções
A lição é simples: não importa o tamanho da intervenção. O mais importante é colocar o cidadão no centro da demanda e tornar as cidades mais resilientes, humanas e preparadas para o futuro.