Quando caminhamos por uma cidade, enxergamos ruas, prédios, calçadas, postes e semáforos. Mas uma parte essencial da infraestrutura urbana está escondida: debaixo do asfalto existe uma enorme rede de tubulações, cabos e sistemas responsáveis por levar água, energia, gás e telecomunicações, além de fazer a drenagem funcionar.
É praticamente uma segunda cidade, e conhecê-la bem é fundamental para administrar a que está na superfície.
No Reino Unido, essa lógica ganhou escala nacional com o National Underground Asset Register (NUAR). Em setembro de 2026, o sistema já reunia informações fornecidas por mais de 400 proprietários de infraestrutura e mapeava mais de 3,2 milhões de quilômetros de tubulações e cabos, cobrindo mais de 80% da infraestrutura subterrânea conhecida na Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte.

O objetivo é simples: antes de escavar, saber melhor o que existe naquele ponto.
Parece óbvio, mas a falta de integração dessas informações tem consequências concretas. O governo britânico estima cerca de 60 mil ocorrências anuais de danos acidentais a redes subterrâneas, com impactos sobre segurança, custos das obras e funcionamento dos serviços.
Esse exemplo traz uma discussão importante para qualquer grande cidade.
Água, esgoto, drenagem, energia, gás e telecomunicações ocupam o mesmo subterrâneo, muitas vezes administrados por diferentes empresas e órgãos públicos. Quando cada um trabalha apenas com seu próprio banco de dados, uma intervenção relativamente simples pode encontrar surpresas durante a execução.
Digitalizar e integrar essas informações permite planejar melhor uma obra, reduzir riscos, evitar retrabalho e coordenar diferentes intervenções. Também abre espaço para pensar a manutenção de forma mais inteligente: se uma rua precisará ser aberta para determinada obra, por exemplo, conhecer previamente as demais redes existentes pode ajudar no planejamento de outras melhorias necessárias naquele mesmo trecho.
É mais um exemplo de como dados também são infraestrutura urbana.
Durante muito tempo, modernizar uma cidade significava principalmente construir novas estruturas. Hoje, significa também conhecer profundamente aquilo que já existe, integrar informações e utilizá-las para tomar decisões melhores. Antes de abrir a rua, a cidade deveria saber exatamente o que existe debaixo dela.
Quanto melhor conhecermos essa “cidade invisível”, mais eficiente poderá ser a cidade que todos enxergamos.