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O transporte urbano pode ganhar os céus?

14 de agosto de 2026
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O transporte urbano pode ganhar os céus?

Quando pensamos em soluções para o trânsito, quase sempre olhamos para o chão: novas avenidas, corredores de ônibus, metrôs e túneis. Mas algumas cidades estão encontrando alternativas acima das ruas.

Varanasi, uma das cidades mais antigas e movimentadas da Índia, está próxima de concluir o primeiro sistema de teleférico voltado ao transporte público urbano do país. Com cerca de 3,8 quilômetros, o projeto foi pensado justamente para aliviar o congestionamento em uma região de ruas estreitas e grande circulação de pessoas.

A ideia, porém, não é inédita no mundo.

Em Medellín, na Colômbia, o Metrocable começou a ser integrado ao metrô em 2004 e se tornou uma referência de conexão entre bairros localizados em áreas de encosta e o restante da rede de transporte.

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La Paz e El Alto, na Bolívia, levaram o conceito ainda mais longe, desenvolvendo uma ampla rede de teleféricos como parte do transporte cotidiano entre diferentes regiões da área metropolitana. Já a Cidade do México incorporou o Cablebús à sua rede de mobilidade, conectando áreas mais afastadas a outros modais de transporte.

E o Brasil também tem experiência nesse caminho.

No Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, um teleférico com seis estações foi inaugurado em 2011 e chegou a ser integrado aos trens da SuperVia em Bonsucesso. O sistema deixou de funcionar em 2016 e sua recuperação ainda está em andamento, com a retomada atualmente prevista para junho de 2027.

O caso carioca mostra, inclusive, uma lição importante: não basta construir uma solução inovadora. É preciso garantir manutenção, operação e integração com o restante da cidade.

Teleféricos não substituem metrôs, ônibus ou trens. Mas podem ser uma alternativa interessante em regiões densas, com grandes desníveis ou onde abrir novas vias seria caro e complexo

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A tecnologia precisa partir do problema real da cidade. Onde estão os maiores fluxos? Quanto tempo será economizado? Como o passageiro continuará sua viagem depois de sair da estação?

Mobilidade eficiente não depende de um único modal, mas de uma rede que funcione de forma integrada.

Quando falta espaço nas ruas, talvez seja hora de olhar também para o que existe acima delas.

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