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Onde a gestão pública pode perder dinheiro sem perceber

20 de julho de 2026
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Onde a gestão pública pode perder dinheiro sem perceber

Quando se fala em desperdício na administração pública, é comum pensar em contratos caros, compras mal planejadas ou obras que ultrapassam o orçamento. Mas uma parte importante das perdas acontece de forma silenciosa, escondida nos processos do dia a dia.

São equipes que se deslocam sem as informações necessárias, serviços que precisam ser refeitos, demandas encaminhadas ao setor errado, contratos pouco acompanhados e áreas que trabalham de forma isolada.

Individualmente, essas falhas podem parecer pequenas. Quando se repetem todos os dias, em diferentes regiões e secretarias, passam a representar um custo significativo para a cidade.

Uma equipe de manutenção pode chegar ao endereço sem o equipamento adequado ou descobrir que o serviço depende da atuação prévia de outro órgão. O deslocamento aconteceu, houve gasto de combustível e horas de trabalho, mas o problema não foi resolvido.

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Em outra situação, duas equipes podem visitar o mesmo local em momentos diferentes por falta de integração. Uma rua pode receber uma intervenção e, pouco tempo depois, ser aberta novamente por uma concessionária. Uma solicitação do cidadão pode circular por diversos departamentos antes de chegar ao responsável correto.

Tudo isso gera retrabalho.

E retrabalho também é desperdício. Ele consome materiais, tempo, mão de obra e capacidade operacional que poderiam estar sendo direcionados para outras demandas da população.

Outro ponto importante está no acompanhamento dos contratos públicos. Não basta saber quanto foi contratado ou quantas equipes estão previstas. É preciso medir o que foi realmente entregue.

Onde o serviço foi realizado? Quanto tempo levou? A execução teve qualidade? O problema voltou a acontecer? A empresa cumpriu os prazos e os padrões definidos?

Sem indicadores claros, a gestão corre o risco de acompanhar apenas valores e quantidades, sem avaliar o resultado concreto para a cidade.

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A tecnologia pode ajudar a tornar essas perdas visíveis. Sistemas integrados, georreferenciamento, registros digitais e painéis de acompanhamento permitem organizar rotas, cruzar informações, monitorar ordens de serviço e identificar falhas recorrentes.

Mas comprar tecnologia, por si só, não resolve o problema. É necessário revisar processos, definir responsabilidades e fazer com que as áreas compartilhem informações.

Antes de ampliar equipes, contratar novos serviços ou adquirir mais equipamentos, a gestão pública precisa entender como os recursos atuais estão sendo utilizados.

Quantos deslocamentos poderiam ser evitados? Quantos serviços precisam ser refeitos? Quantas demandas ficam paradas por falta de comunicação? Quantos contratos são avaliados apenas pelo custo, e não pelo desempenho?

Eficiência não significa simplesmente cortar despesas. Significa reduzir falhas, evitar repetições e utilizar melhor cada recurso disponível.

O maior desperdício da prefeitura nem sempre está no orçamento. Muitas vezes, está no processo.

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