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Testar antes de construir é a nova lógica do planejamento urbano
26 de agosto de 2026
| Por modonezi
Uma obra pública pode levar anos para sair do papel, consumir milhões em recursos e, depois de pronta, revelar problemas que poderiam ter sido identificados ainda na fase de planejamento.
É justamente nesse ponto que os gêmeos digitais começam a ganhar espaço nas cidades.
A tecnologia permite criar uma representação virtual de partes da cidade e combinar esse modelo com diferentes tipos de dados. Assim, antes de modificar uma avenida, implantar um corredor de transporte ou construir uma nova infraestrutura, a gestão pode simular cenários e avaliar possíveis consequências.
Em 2026, a União Internacional de Telecomunicações ampliou essa discussão ao colocar gêmeos digitais, inteligência artificial e inteligência espacial entre as tecnologias capazes de ajudar gestores públicos a tomar decisões mais qualificadas. A própria UIT destaca que os modelos digitais podem ser usados para simular políticas e projetos de infraestrutura antes que recursos públicos sejam investidos.
Imagine, por exemplo, uma grande intervenção viária. Em vez de descobrir depois da inauguração que o trânsito apenas mudou de uma avenida para outra, é possível testar diferentes configurações antecipadamente.
O mesmo raciocínio vale para corredores verdes, expansão urbana, drenagem, rotas de emergência, transporte público e localização de novos equipamentos públicos.
Não significa que um modelo digital consiga prever tudo. A cidade real é muito mais complexa e envolve comportamento humano, mudanças econômicas e situações inesperadas. Mas quanto mais informação de qualidade estiver disponível antes da decisão, menor será o espaço para improvisação.
A UIT trabalha atualmente em padrões relacionados aos gêmeos digitais urbanos e à integração desses modelos com inteligência artificial para analisar mobilidade, infraestrutura, meio ambiente e serviços públicos.
Para a gestão pública, essa mudança é importante porque tecnologia não precisa entrar somente depois que surge um problema. Ela pode estar presente antes, ajudando a comparar alternativas, identificar riscos e direcionar melhor os investimentos.
Antes de transformar a cidade real, a gestão pode testar suas escolhas na cidade digital.
Planejar sempre será decidir diante de incertezas. A diferença é que hoje temos ferramentas cada vez melhores para reduzir essas incertezas antes que elas se transformem em obras caras, atrasos e problemas difíceis de corrigir.